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A nova “tarifaço” de Trump, com sobretaxa de até 50% sobre produtos brasileiros, deve atingir fortemente a Bahia, incluindo setores como cacau, combustíveis e pneus

Governo busca mitigar efeitos e fortalecer laços com a China

Por: Redação
11/07/2025 às 16h00
A nova “tarifaço” de Trump, com sobretaxa de até 50% sobre produtos brasileiros, deve atingir fortemente a Bahia, incluindo setores como cacau, combustíveis e pneus
Porto de Salvador - Foto: Uendel Galter | Ag. A Tarde

O recente "tarifaço" de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros, pode ter um impacto significativo em setores estratégicos da economia baiana, como o cacau, os óleos combustíveis e a produção de pneus. A avaliação foi feita por José Acácio Ferreira, diretor-geral da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em entrevista ao bahia.ba.

Apesar das preocupações, Acácio Ferreira buscou tranquilizar, afirmando que não há motivo para pânico generalizado. "Não vamos fazer alarmismo. Acreditamos que essa medida vai chegar à Bahia como uma onda fraca, distante do que está sendo anunciado. O importante agora é proteger os baianos, as arrecadações de ICMS e a economia regional com base em dados concretos”, avaliou.

 

Governo baiano já atua para mitigar efeitos

O diretor da SEI garantiu que o impacto não deve ser generalizado. Questionado se o governador Jerônimo Rodrigues (PT) solicitou alguma nota técnica sobre o tarifaço, Ferreira afirmou que o governo estadual já iniciou a elaboração de estudos técnicos para mitigar os efeitos da medida.

“Os principais produtos exportados aos Estados Unidos pela Bahia são cacau e derivados, incluindo o produto acabado, óleos [combustíveis] e pneus. Esses setores merecem atenção especial. O governador está atento a isso e solicitou imediatamente uma nota técnica à SEI para embasar decisões com evidência científica”, destacou Acácio.

Ele ponderou que os EUA não são o principal destino das exportações baianas (China e Singapura estão à frente), mas alertou para o risco de descontinuidade em cadeias produtivas devido à dependência de importações de maquinários. "A Bahia importa mais dos Estados Unidos do que exporta. Isso inclui maquinários, que são essenciais para cadeias de suprimento no estado. O impacto pode ser sentido em setores que dependem dessas peças e equipamentos”, afirmou.

 

De olho no cacau e no turismo

Entre as regiões mais sensíveis ao impacto, Acácio citou o sul da Bahia. “Vamos ter que olhar para o cacau, para Ilhéus, para a região cacaueira”, sinalizou. Segundo ele, o governo já monitora indicadores econômicos locais “on time”, com apoio do sistema Monitora Bahia. “Estamos acompanhando o PIB dos municípios, o turismo, os preços da cesta básica. Tudo com base em evidências”, assegurou.

O titular da SEI reforçou que não há necessidade de desespero para os produtores de Ilhéus, pois o governo já está realizando estudos voltados para a cadeia produtiva da região. “A mensagem para Ilhéus é clara: o Estado está olhando para a cadeia produtiva de vocês”, tranquilizou. A cidade abriga a maior fazenda de multiplicação de mudas de cacau do mundo, localizada no distrito de Banco do Pedro, mantida pelo Instituto Biofábrica da Bahia (IBB), que atende principalmente agricultores familiares.

A SEI também avalia possíveis impactos sobre o turismo, com uma diminuição da procura de viagens de baianos aos Estados Unidos. Isso, segundo Ferreira, pode afetar a economia norte-americana, levando turistas a optarem por outros destinos, como o Caribe ou a China.

 

Ampliação da parceria com a China

Diante do novo cenário, Acácio afirmou que o Estado estuda alternativas de mercado, com foco em ampliar ainda mais a parceria com a China, principal adversária comercial dos norte-americanos. “Temos cooperação técnica internacional com a China. Só em 2024, mandamos 52 servidores para estudar boas práticas em áreas como combate à pobreza e logística. Podemos ampliar os mercados para nosso cacau e chocolate, que são os melhores do mundo”, concluiu.

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