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Até quando vamos viver com medo?

A vida perdeu a leveza e ganhou limites invisíveis

Por: Redação
06/11/2025 às 20h50 Atualizada em 06/11/2025 às 21h48
Até quando vamos viver com medo?
Foto: Ilustração/internet

A cada dia que passa, a sensação de estar em uma guerra silenciosa se torna mais real. A dominação do tráfico, o avanço das facções e o controle imposto sobre nossas comunidades estão tirando de nós algo que deveria ser básico: o direito de viver sem medo.

Até quando pessoas inocentes vão ser “confundidas”? Até quando a aparência, o jeito de andar, a roupa ou até um simples gesto com as mãos vão determinar se alguém será visto como “do grupo errado”? Não há mais liberdade para vestir o que se gosta, para seguir a moda, para circular tranquilamente pelas ruas e bairros. A desconfiança virou rotina, e o medo virou companhia constante.

O pior é perceber que o poder paralelo impôs regras onde o Estado deveria garantir segurança e paz. Enquanto facções disputam territórios, quem paga o preço é o cidadão comum — o trabalhador, o estudante, o jovem que sonha com um futuro melhor. A vida perdeu a leveza e ganhou limites invisíveis: ruas que não se pode cruzar, cores que não se pode usar, gestos que não se pode fazer.

Até quando vamos aceitar viver assim? Até quando inocentes vão ser julgados por códigos que não escolheram seguir? A sociedade precisa gritar por liberdade, por justiça, por presença do poder público real, não apenas em discursos. O medo não pode continuar sendo o guia de quem só quer viver em paz.

É urgente retomar o direito de ser — de vestir, de andar, de existir — sem ser confundido, sem ser ameaçado, sem ser silenciado. Porque viver com medo não é viver.

Dados da Região Metropolitana de Salvador (RMS)

  • Na RMS, entre janeiro e setembro de 2024, houve 339 mortes violentas registradas, contra 429 no mesmo período de 2023 — uma queda de 21%. 

  • No primeiro semestre de 2025, a RMS registrou uma redução de 8,4% nas mortes violentas em comparação ao primeiro semestre de 2024. 

  • Em relação à capital, Salvador, a redução foi ainda maior: 16,6% no mesmo período. 


Para quem mora ou atua na RMS, esses números mostram que as ações de segurança estão gerando impacto — ainda que a sensação de insegurança possa persistir. Ou seja: mesmo com quedas, as restrições (andar com receio, evitar certas roupas, horários ou gestos) continuam sendo relevantes no dia-a-dia.

Um dado significativo: o município de Santo Antônio de Jesus (no Recôncavo) liderava o ranking dos municípios com maior taxa de homicídios no Brasil: 94,1 homicídios por 100 mil habitantes em 2022.

Também foi noticiado que esse município registrou, em 2024, uma redução significativa de 38,7% na taxa de homicídios (caindo de 94,1 para 57,7 por 100 mil hab) e “desceu” no ranking nacional. 

Na região do Recôncavo, a violência está em níveis muito elevados historicamente, o que reforça sobre a sensação de vigilância, medo e restrições nas ruas e no cotidiano. Mesmo com reduções, o patamar ainda exige atenção e políticas localizadas.

 

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A vida acontece nas esquinas, nos cafés, nas filas e nas conversas despretensiosas. Esta coluna é um olhar atento e humano sobre as histórias que nos cercam. Da anônima à celebridade, dos grandes desafios às pequenas alegrias, mergulhamos no universo das pessoas comuns e nos fatos do dia a dia. Uma reflexão sobre o que somos e como vivemos.
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