
A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a recompra da Refinaria de Mataripe, antiga RLAM, recolocou no centro do debate nacional temas como soberania energética, controle de preços e o papel do Estado em setores estratégicos.
Durante agenda recente, Lula foi enfático ao afirmar que pretende reverter a privatização da refinaria:
“Eles venderam a refinaria da Bahia, nós vamos comprar de volta. Pode demorar um pouco, mas nós vamos comprar.”
Localizada em São Francisco do Conde, a refinaria é considerada uma das estruturas mais importantes para o abastecimento de combustíveis no Nordeste. Além da planta industrial, o complexo inclui uma ampla rede logística com terminais em cidades como:
e cerca de 700 quilômetros de dutos, o que reforça seu papel central na distribuição de combustíveis na região.
A refinaria foi vendida em 2021 por cerca de US$ 1,65 bilhão e passou a ser operada pela Acelen, ligada ao fundo árabe Mubadala Investment Company.
Desde então, críticas à privatização ganharam força, especialmente após episódios de aumento nos preços dos combustíveis. Em março de 2026, a refinaria aplicou reajustes de até 20% no diesel em uma única semana, enquanto a Petrobras manteve estabilidade em suas unidades.
O impacto foi imediato: pressão sobre caminhoneiros, aumento no custo do frete e reflexos diretos no bolso do consumidor.
Segundo informações recentes, o processo de recompra está em fase avançada, envolvendo negociações com o fundo Mubadala e análises técnicas dentro da Petrobras.
Os valores em discussão variam entre US$ 1,6 bilhão e US$ 2,8 bilhões, dependendo de fatores como investimentos realizados e condições de mercado. A operação inclui não apenas a refinaria, mas todo o sistema logístico associado.
Uma das alternativas em análise prevê que a Petrobras retome o controle do refino, enquanto o Mubadala permaneça em projetos ligados à transição energética, como:
Esse modelo pode combinar a recuperação do controle estatal com avanços em energias mais limpas.
O anúncio da recompra se insere em um contexto mais amplo de retomada de investimentos no setor. Ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, o governo federal também anunciou cerca de R$ 9 bilhões para modernização e ampliação do refino no país.
Para a Bahia, a possível retomada da refinaria representa mais do que uma operação econômica. Trata-se de uma decisão com impacto direto sobre:
A proposta de recompra divide opiniões, mas reforça um ponto central: o papel do Estado no controle de setores estratégicos da economia.
Para defensores da medida, trata-se de corrigir um erro do passado e garantir instrumentos para proteger a população. Já críticos apontam os custos da operação e os desafios de gestão.
Enquanto as negociações avançam, a Refinaria de Mataripe volta ao centro das discussões sobre o futuro energético do Brasil e o papel da Bahia nesse cenário.