
O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, iniciou nesta semana uma ofensiva comercial global ao impor novas tarifas sobre produtos importados de diversos países. Entre as 22 nações já notificadas, o Brasil foi o mais penalizado, com uma tarifa de 50% sobre todos os produtos exportados aos EUA, a mais alta anunciada até o momento.
As medidas, que começarão a valer em 1º de agosto, foram comunicadas por meio de cartas oficiais enviadas diretamente aos governos dos países afetados. O Brasil foi incluído na segunda leva de notificações, divulgada nesta quarta-feira (9), juntamente com Argélia, Brunei, Filipinas, Iraque, Líbia, Moldávia e Sri Lanka.
Segundo o governo americano, os países que não firmarem um novo acordo comercial com os EUA até a data limite serão automaticamente submetidos às novas tarifas.
O anúncio causou reação imediata entre economistas, entidades do setor produtivo e analistas internacionais. Para muitos, a medida tem motivação política e não encontra respaldo em fundamentos econômicos.
“Não seria a primeira vez que os Estados Unidos usam a política tarifária para fins políticos”, afirmou o economista e Nobel de Economia Paul Krugman, em entrevista a veículos da imprensa internacional.
Entidades brasileiras da indústria e do agronegócio também demonstraram preocupação. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a medida como “sem justificativa econômica” e alertou para os possíveis impactos negativos no emprego e na competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.
Desde a última segunda-feira (7), Trump tem enviado os comunicados de forma escalonada. A primeira leva atingiu 14 países; a segunda, mais 8 — totalizando 22 nações até o momento. As tarifas definidas variam entre 20% e 50%, dependendo do país.
Confira algumas das tarifas anunciadas:
Brasil: 50%
Filipinas: 20%
África do Sul: 30%
Bangladesh: 35%
Japão: 25%
Laos e Myanmar: 40%
Sérvia: 35%
A expectativa é que novas notificações sejam enviadas nos próximos dias, o que pode ampliar ainda mais o escopo das sanções comerciais.
Diante da medida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil responderá com base na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada recentemente pelo Congresso Nacional. A legislação permite ao país adotar sanções comerciais em resposta a ações unilaterais de outros governos que prejudiquem a economia brasileira.
“Qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica”, escreveu Lula na rede social X.
O governo brasileiro ainda avalia os impactos da medida e articula com parceiros internacionais uma reação coordenada frente ao endurecimento tarifário promovido por Washington.