
Uma dona de casa de 70 anos e o filho dela, de 36 anos, morreram com 10 minutos de diferença após passarem mal dentro de casa, no bairro Nova Rosa da Penha II, em Cariacica, na Grande Vitória, no último domingo (14).
Segundo a família, o músico Anderson de Oliveira Roriz sofreu um infarto ao tentar socorrer a mãe, Maria do Carmo de Oliveira Roriz, que também passou mal após voltar da igreja.
De acordo com a filha de Maria do Carmo e irmã de Anderson, Adriana de Oliveira Roriz, 42 anos, a mãe passou a manhã na Igreja Nossa Senhora Aparecida, onde atuava como voluntária, e retornou para casa para almoçar com os filhos.
"Ela descansou depois do almoço. [Depois] Levantou, bebeu um copo d'água e foi para a varanda. Segundos depois, eu e meu irmão ouvimos um barulho de algo caindo, como se fosse uma cadeira ou uma mesa. Aí eu já pensei: 'será que minha mãe bateu, caiu em cima da mesa?' Corremos lá para fora e vimos ela caída", contou Adriana.
A família acionou socorro, e Anderson ficou nervoso com a situação. Disse à irmã que não conseguia ver a mãe naquela situação, saiu da varanda para a sala e começou a ficar sem ar.
Vizinhos apareceram para tentar ajudar a família. Em certo momento, pediram que os socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também olhassem Anderson, que pedia por um cilindro de oxigênio. A mãe não resistiu e o filho morreu dez minutos depois.
"Meu irmão tinha pressão muito alta e a minha mãe já tinha sofrido um infarto uns anos atrás. A diferença entre a morte de um dos dois foi de 10 minutos. O meu irmão morreu às 15h10 e a minha mãe morreu às 15h20. Essa foi a tragédia da minha vida", disse.
Segundo a família, o atestado de óbito de Maria do Carmo apontou edema agudo de pulmão e insuficiência cardíaca como causas da morte. O documento também cita histórico de AVC, infarto e aterosclerose sistêmica.
Já Anderson morreu em decorrência de um infarto agudo do miocárdio, associado a edema agudo de pulmão.
Maria do Carmo deixa três filhos, Adriana e outros dois irmãos. Já Anderson era solteiro e deixa um filho de 11 anos.
A dona de casa era conhecida pelo trabalho voluntário realizado na igreja do bairro. Segundo a filha, ela acompanhou a construção da capela frequentada pela comunidade e tinha orgulho do espaço.
"O sonho da minha mãe era ver a nossa capela construída, porque antes de ter aquela capela, a nossa igreja era bem debilitada, estava basicamente caindo aos pedaços. E o sonho dela era ver aquela igreja pronta, e ela viu. Todas as plantas que tem naquele jardim foi ela que plantou. Em qualquer lugar que a gente olhe naquela igreja, tem um pedacinho da mão dela”, afirmou a filha.
Ao lembrar do irmão, Adriana destacou a relação próxima que os dois mantinham e a forma como ele era visto pelos amigos e familiares.
"O meu irmão tinha um coração muito grande, era um gigante gentil. Grande, enorme, mas com um coração mole. Era um homem honrado, nunca deixou de honrar as dívidas, nunca aprontou qualquer coisa que deixasse a gente envergonhada", disse a irmã.
Segundo ela, Anderson trabalhava como percussionista em grupos de pagode e tinha como principal objetivo reformar a casa da família.
Os velórios de mãe e filho aconteceram na Igreja Nossa Senhora Aparecida, e o sepultamento foi realizado no Cemitério Jardim da Saudade.
"Esses dois eram tão amados, tanto pela família, pelos amigos, pelas pessoas do bairro e de fora do bairro. Não tinha espaço na igreja para poder acomodar mais pessoas".