
O ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado pelo assassinato de Eliza Samudio, voltou ao centro de uma polêmica nesta terça-feira (6). Apenas algumas horas após a repercussão de que um passaporte atribuído à ex-modelo teria sido encontrado em Portugal, Bruno publicou uma foto irônica em suas redes sociais, o que foi interpretado por internautas como um deboche direto ao caso.
Na imagem postada no Instagram, Bruno aparece relaxando à beira de uma piscina. O que causou a revolta foi a legenda escolhida pelo ex-atleta:
“De olho no lance”
A frase, um bordão clássico das narrações de futebol, foi vista como uma provocação pesada, dado o timing da postagem com a nova "pista" sobre o paradeiro de documentos de Eliza — cujo corpo nunca foi localizado desde o crime em 2010.
A postagem foi inundada de críticas. Muitos seguidores e ativistas apontaram a falta de sensibilidade e o caráter afrontoso de Bruno, que cumpre pena em liberdade condicional.
"É um escárnio com a família e com a memória da vítima", comentou um usuário.
"Como alguém condenado por um crime tão bárbaro se sente à vontade para ironizar dessa forma?", questionou outro.
Eliza Samudio desapareceu em 2010. O corpo dela nunca foi encontrado.
A modelo tinha 25 anos e era mãe do filho recém-nascido do goleiro Bruno, de quem foi amante. Na época, o jogador era titular do Flamengo e não reconhecia a paternidade da criança.

Depois, ela foi entregue para o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, que a asfixiou e desapareceu com o corpo, nunca encontrado. O bebê Bruninho foi achado com terceiros em Ribeirão das Neves, na Grande BH.
Em 2025, 15 anos depois do crime, a mãe de Eliza Samudio, Sonia Fatima Moura, recebeu os pertences da filha que estavam em posse da Justiça.
Quem foi condenado
Em março de 2013, Bruno foi considerado culpado pelo homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado de Eliza. Ele foi sentenciado a mais de 22 anos de prisão por matar a jovem e ocultar o cadáver dela, além de sequestrar o filho.
A ex-mulher do atleta, Dayanne Rodrigues, foi julgada na mesma ocasião, mas foi inocentada pelo júri. Luiz Henrique Romão, conhecido como Macarrão, e Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do goleiro, já haviam sido condenados em novembro de 2012.
Macarrão era amigo próximo do então goleiro Bruno e, conforme as investigações, participou do sequestro de Eliza no Rio de Janeiro e a levou para Minas Gerais, onde ela foi mantida em cárcere privado.
O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, foi condenado a 22 anos de prisão como principal executor do crime.
O último júri do caso foi em agosto de 2013 e condenou Elenilson da Silva e Wemerson Marques, o Coxinha, por sequestro e cárcere privado do filho de Eliza Samudio com Bruno. Elenilson foi condenado a três anos em regime aberto, e Wemerson, a dois anos e meio.
Bruno foi para o regime semiaberto em 2018 e está em liberdade condicional desde janeiro de 2023. Ele chegou a jogar bola profissionalmente após deixar a prisão.