
Um motorista de aplicativo viveu horas de terror nas mãos de criminosos no extremo sul da Bahia. O trabalhador foi resgatado por policiais civis na manhã desta sexta-feira (6), em Eunápolis, após ser mantido em cárcere privado, amarrado e submetido a sessões de tortura por traficantes locais.
O crime teve início na noite de quinta-feira (5), quando o motorista aceitou uma corrida e foi abordado por pelo menos oito suspeitos. Segundo informações da Polícia Civil, a violência física começou após os criminosos vasculharem o celular da vítima.
Ao encontrarem mensagens de conversas com um policial militar, os traficantes confundiram o motorista com um informante da polícia. A partir desse momento, ele foi levado para uma área de mata densa conhecida como "Boqueirão", onde passou a noite sob constante agressão.
A operação de resgate ocorreu após uma denúncia anônima levar os agentes até o cativeiro improvisado.
Na chegada da polícia, os criminosos reagiram e iniciaram uma troca de tiros antes de fugirem pela mata.
O motorista foi encontrado com as mãos amarradas e apresentava ferimentos graves e sinais visíveis de tortura nas costas.
Durante as buscas na região, um dos suspeitos foi localizado e prontamente identificado pela vítima como um dos autores do crime.
No local utilizado como cativeiro, a polícia descobriu um acampamento improvisado. A cena reforçou a brutalidade do grupo: foram apreendidos objetos com manchas de sangue, incluindo um facão e um pedaço de madeira utilizados para golpear o trabalhador.
"Ele estava em um estado de vulnerabilidade extrema. O material apreendido no acampamento não deixa dúvidas sobre a crueldade aplicada durante o período em que ele esteve em poder dos criminosos", informou a Polícia Civil em nota.
O caso chocou a categoria de motoristas por aplicativo na região, que já lida diariamente com a insegurança. A polícia segue com as investigações e buscas na área do Boqueirão para identificar e prender os outros sete envolvidos que conseguiram escapar durante o cerco policial.
O motorista, que não teve o nome divulgado por questões de segurança, recebeu atendimento médico e segue sob observação.