
Um clima de revolta e desespero tomou conta do município de São Francisco do Conde nesta terça-feira 11/11, com protestos simultâneos que escancararam uma profunda crise social e administrativa sob a gestão do prefeito Antônio Calmon. Servidores públicos, mães de família e beneficiários de programas sociais lotaram o plenário da Câmara e as ruas, clamando por dignidade, pagamento de salários e a revogação da controversa "lei excludente do Pão na Mesa".
A sessão da Câmara Municipal desta terça-feira foi palco de uma intensa manifestação popular. Cidadãos gritavam em uníssono “pague meu dinheiro!” em protesto contra a nova legislação que reformulou o programa social Pão na Mesa, excluindo automaticamente cerca de 2.300 beneficiários e forçando outras 2 mil famílias a um recadastramento sob a sombra de provável exclusão.
A medida, que rapidamente ganhou o apelido de “lei excludente do Pão na Mesa”, foi aprovada pelos vereadores Nem do Caípe, Joinha, Pantera, Luís de Campinas, Sandrinha, Pita de Gal e Neguinho, e é apontada por técnicos e servidores municipais como a causa de um verdadeiro colapso social.
A indignação popular transformou-se em protesto audível dentro do plenário: o som das panelas ecoava, simbolizando a fome e o sentimento de injustiça que atinge os mais pobres. A manifestação se consolidou como um símbolo de resistência contra o que a população e a oposição classificaram como um “golpe contra os mais pobres”.
O cenário de desigualdade ficou ainda mais patente com a divulgação dos dados dos últimos pagamentos do programa. Enquanto apenas 22 beneficiários receberam o valor de R$ 600,00, a grande maioria foi contemplada com valores entre R$ 150,00 e R$ 250,00, montantes insuficientes para garantir o básico da alimentação familiar.
Em defesa do povo e contra o projeto, formaram a bancada de resistência os vereadores Lígia Costa Rosa, Rafael, Daoana, Lorena, Fábio e Moriel, que se posicionaram firmemente contra as ações da gestão Calmon.
Paralelamente à revolta na Câmara, os servidores públicos municipais deflagraram uma mobilização de rua para cobrar o pagamento dos salários de outubro, que mais uma vez sofreu atraso. Com faixas, cartazes e palavras de ordem, os trabalhadores denunciaram o descumprimento dos prazos e o "descanso" da gestão municipal diante da crise que afeta escolas, creches e diversos serviços essenciais.
A concentração em frente à sede da Prefeitura, no entanto, resultou em uma resposta imediata, mas parcial: horas após o protesto, a gestão municipal creditou os vencimentos apenas para servidores efetivos e REDAS. Os demais trabalhadores, incluindo contratados e prestadores de serviço, continuam sem qualquer previsão de pagamento.
A Prefeitura, em nota à imprensa, divulgou um comunicado focado nos professores:
Comunicado Oficial A Prefeitura de São Francisco do Conde informa que o pagamento dos professores da rede municipal será realizado nesta terça-feira, 11 de novembro. A gestão reafirma seu compromisso com a valorização dos profissionais da educação...
Apesar da nota, que sequer menciona as demais categorias e os contratados, o clima de insatisfação persiste. Os servidores estão "cansados dos atrasos recorrentes" e prometem novas e mais amplas mobilizações caso a situação de instabilidade no pagamento não seja normalizada.
O município de São Francisco do Conde, sob o peso da "lei excludente" e da irresponsabilidade com a folha de pagamento, vive um dia de fúria e resistência popular contra o abandono e o descaso da atual gestão.