
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinou que o Bradesco mantenha em funcionamento o posto de atendimento bancário em Chorrochó, município de 10,5 mil habitantes localizado no Vale do São Francisco. A decisão liminar, proferida pelo desembargador José Cícero Landim Neto, atende a um pedido da prefeitura, que busca evitar os impactos do encerramento da única unidade bancária da cidade.
A decisão, emitida na última sexta-feira (5), proíbe o fechamento previsto para o próximo dia 22 e estabelece multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento. O Bradesco deverá manter o atendimento integral até que seja instalada uma unidade avançada ou estrutura equivalente, com caixas eletrônicos e suporte assistido para operações digitais.
Segundo o advogado Cícero Dias, que representa o município, o fechamento deixaria a população totalmente desassistida. “Chorrochó não possui qualquer outro ente financeiro, nem correspondente bancário. O Bradesco será obrigado a fornecer uma alternativa viável”, explicou.
A gestão municipal reforça que mantém contrato com o banco para o pagamento da folha dos servidores públicos. Além disso, parte considerável da população depende de serviços presenciais, como emissão de extratos, pagamento de contas e saque de benefícios sociais. Em Chorrochó, 25,2% dos moradores têm mais de 50 anos, o que aumenta a dificuldade de acesso aos canais digitais.
O anúncio de encerramento em Chorrochó segue uma tendência de reestruturação nacional do Bradesco. Desde outubro de 2023, quando anunciou mudanças no modelo de gestão, 45 agências foram fechadas na Bahia, resultando em 176 demissões apenas no estado. Em todo o país, o número de desligamentos chegou a 2.466 até julho deste ano.
Municípios como Ubatã, Palmeiras e Camaçari já recorreram à Justiça para tentar evitar o fim das atividades do banco. Em Ubatã, por exemplo, a decisão judicial garantiu a manutenção provisória da unidade por 180 dias, além da exigência de um plano de contingência.
Agora, Pedro Alexandre, cidade de 13,9 mil habitantes, também deve ingressar na Justiça. O município foi informado de que a única agência local será fechada ainda neste mês. “As pessoas terão que percorrer 120 quilômetros de ida e volta para conseguir atendimento. Isso é indigno”, disse o procurador Bruno Amorim.
Em nota, o banco afirmou que as mudanças fazem parte de um processo de transformação das agências em unidades de negócio, justificando que 98% das operações já são feitas por canais digitais. O Bradesco informou ainda que, a partir de 22 de setembro, os clientes de Chorrochó terão suas contas transferidas para a agência de Paulo Afonso, a 170 km de distância, e que a população poderá acessar serviços por meio da rede Bradesco Expresso e dos canais digitais.