
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), anunciou nesta quinta-feira (31) uma série de medidas para enfrentar os impactos do tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A decisão americana impõe uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros exportados para os EUA, afetando diretamente a economia baiana — especialmente o agronegócio.
A Bahia é um dos principais estados exportadores de frutas para o mercado norte-americano, com destaque para a produção de mangas na região de Juazeiro, no norte do estado, além do café cultivado na Chapada Diamantina e em Vitória da Conquista. Segundo o governo estadual, os efeitos da nova tarifa atingem diretamente centenas de produtores, com potencial de gerar graves prejuízos econômicos e sociais nas regiões mais dependentes da exportação.
Diante do cenário, Jerônimo afirmou que está articulando uma reação conjunta com outros entes federativos e representantes do setor produtivo.
“Na segunda-feira, estarei reunido com o setor produtivo aqui no estado. Na terça, vou a Brasília participar de um encontro com os governadores do Nordeste, dentro do Consórcio Nordeste, para construirmos uma posição unificada”, declarou o governador em entrevista à TV Bahia.
A data prevista para a entrada em vigor da nova taxação é a próxima quarta-feira, 6 de agosto. Neste mesmo dia, Jerônimo tem encontro agendado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Brasília, onde pretende apresentar os impactos diretos da medida sobre a economia do estado e propor alternativas conjuntas.
“O nosso desejo é que a gente consiga chegar a um status onde o diálogo diplomático possa acontecer. Vamos apresentar ao presidente Lula o olhar dos governadores do Nordeste e buscar caminhos conjuntos para enfrentar essa situação”, afirmou o governador.
A taxação norte-americana atinge diversos produtos brasileiros, mas a repercussão mais severa na Bahia recai sobre frutas e o café, duas cadeias produtivas com forte inserção internacional e geração de emprego nas regiões interioranas.
Além das articulações políticas, o governo da Bahia avalia implementar medidas emergenciais de apoio a produtores locais afetados, como linhas de crédito especiais, incentivos à diversificação de mercados e ampliação de rotas de exportação para países da Europa e Ásia.
A expectativa é que o posicionamento conjunto do Consórcio Nordeste, aliado à atuação do governo federal, pressione por uma reavaliação da medida no campo diplomático e evite um colapso econômico em setores estratégicos da produção nordestina.