
A apuração das urnas em São Francisco do Conde frustrou as expectativas do prefeito Antônio Calmon (PP) e expôs os limites da articulação de seu grupo político. Dias antes da eleição, o gestor municipal havia sinalizado publicamente que entregaria uma votação expressiva ao candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), além de alavancar os nomes do grupo para o Senado e para a Assembleia Legislativa.
A contagem oficial dos votos, no entanto, revelou uma ampla preferência do eleitorado local pelo projeto governista liderado pelo PT. Jerônimo Rodrigues (PT) conquistou 15.891 votos na cidade — o equivalente a 67,21% dos votos válidos —, enquanto ACM Neto alcançou apenas 7.629 sufrágios (32,27%). A diferença de 8.262 votos a favor do petista escancarou a distância entre as projeções do prefeito e a decisão das urnas.
O revés político é considerado expressivo pelo fato de São Francisco do Conde ser tratada pelo grupo de ACM Neto como um dos principais pontos de apoio na Região Metropolitana de Salvador. Para tentar garantir o desempenho dos aliados, Calmon atuou diretamente na linha de frente da campanha, participando de caminhadas, eventos públicos e reuniões estratégicas ao lado de lideranças locais, como a secretária de Saúde, Grace Tanferi. Informações dos bastidores apontam ainda uma intensa mobilização que incluiu a distribuição de materiais de propaganda e o engajamento direto de servidores municipais.
O fraco desempenho da base do prefeito estendeu-se também às candidaturas proporcionais. Cacá Leão (PP) registrou modesto desempenho no município, somando apenas 1.502 votos. Na disputa para a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), Rosemberg Pinto (PT), que contou com o apoio ostensivo de Calmon e da maioria da bancada de vereadores governistas, obteve 2.664 votos. A quantia foi considerada aquém do esperado dada a estrutura mobilizada e não impediu que Dr. Pitágoras se consagrasse como o deputado estadual mais votado no município, deixando a base do prefeito em posição desfavorável no cenário local.