O baiano Mateus da Costa Meira, de 51 anos, condenado pelo atentado a tiros no cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo, voltou a chamar atenção ao lançar um livro digital sobre o crime que marcou sua trajetória e chocou o país no fim da década de 1990.
Ex-estudante de Medicina, Mateus passou a se dedicar à escrita e vem publicando, de forma independente, obras que abordam crimes de grande repercussão nacional e internacional. Entre os temas explorados por ele estão os casos Isabella Nardoni, Suzane von Richthofen e o massacre de Columbine, ocorrido nos Estados Unidos.
A publicação mais recente, intitulada "Dentro da Escuridão: A Vida, a Mente e o Crime de Mateus da Costa Meira", revisita o atentado cometido por ele em novembro de 1999. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Ullisses Campbell, do jornal O Globo, a obra foi construída a partir de documentos públicos, laudos periciais, decisões judiciais e reportagens sobre o caso.
No livro, o autor sustenta que a cobertura da imprensa da época não teria explorado integralmente os fatores que contribuíram para a ocorrência do crime. Um dos aspectos que chamam atenção é a escolha narrativa adotada por Mateus, que relata parte da história em terceira pessoa, como se descrevesse a vida de outro personagem, embora esteja tratando de sua própria trajetória.
Em 3 de novembro de 1999, Mateus da Costa Meira entrou armado em uma sala de cinema do Morumbi Shopping, na capital paulista, e efetuou diversos disparos contra o público durante a exibição de um filme. O ataque resultou na morte de três pessoas e deixou outras vítimas feridas.
Ele foi preso logo após o atentado e, inicialmente, condenado a mais de 120 anos de prisão. Posteriormente, a pena foi reduzida para 48 anos e nove meses.
Durante o período em que esteve sob custódia do Estado, Mateus passou por avaliações psiquiátricas. Em um processo relacionado a uma agressão ocorrida dentro do sistema prisional, laudos médicos apontaram diagnóstico de esquizofrenia paranoide, o que motivou sua transferência para um hospital de custódia na Bahia para tratamento especializado.
Após permanecer mais de uma década internado na unidade, ele recebeu autorização da Justiça para deixar o hospital em 2024. Atualmente, vive em Salvador, onde segue em acompanhamento médico e psiquiátrico.