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Flávio José desabafa sobre perda de espaço do forró e cancela shows na Bahia
Ícone do forró tradicional critica programações juninas e rebate recomendação do Ministério Público sobre limite de seu cachê
05/06/2026 14h08
Por: Redação
O cantor e compositor Flávio José, considerado um dos maiores expoentes do forró tradicional. Reprodução/ Vídeo

O cantor e compositor Flávio José, considerado um dos maiores expoentes do forró tradicional, fez um forte desabafo sobre a perda de espaço do gênero nas festividades regionais. Em entrevista divulgada nesta sexta-feira (5), o artista lamentou a descaracterização das programações dos eventos juninos e expressou profunda preocupação com o futuro da música que representa a identidade cultural do Nordeste.

A insatisfação do forrozeiro culminou no cancelamento de todas as suas apresentações agendadas para o estado da Bahia neste ano. A decisão foi tomada após um impasse envolvendo as diretrizes de fiscalização do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA).

Críticas às Programações e "Uso Simbólico"

Durante manifestação na página de Instagram São João na Bahia, Flávio José expôs o desejo de que as gestões municipais repensassem os critérios de contratação para valorizar a herança cultural local. Contudo, ele se mostrou pessimista:

“Eu gostaria que as cidades se espelhassem em outras que estão começando a entender que a nossa música é da nossa cultura e tradição, mas eu ainda acho que isso está muito distante”.

O cantor apontou que muitas grades de eventos ignoram completamente o forró pé-de-serra e criticou o fato de que sua contratação, às vezes, parece ser usada apenas de forma simbólica. “Eu vejo algumas nas quais eu fui colocado, talvez, muito mais para dar uma satisfação, para dizer: ‘Não, tinha forró, tinha Flávio José’", desabafou.

Entenda o Impasse com o Ministério Público

O cancelamento da agenda de shows do artista na Bahia foi motivado por uma recomendação de adequação financeira emitida pelo MP-BA:

A Posição do MP-BA

Por outro lado, o Ministério Público da Bahia alega que sua atuação se baseia em critérios estritamente técnicos e impessoais para assegurar a responsabilidade fiscal das prefeituras diante da escalada de gastos públicos.

O órgão passou a recomendar reajustes atrelados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), conforme acordado previamente com a União dos Municípios da Bahia (UPB). O MP-BA reiterou, no entanto, que permanece aberto ao diálogo consensual com os representantes legais de Flávio José.