A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras ganhou repercussão na imprensa internacional nesta quinta-feira (28).
O anúncio foi feito pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que afirmou que as duas facções estão entre os grupos criminosos mais violentos do Brasil. Segundo o comunicado oficial, a nova classificação passa a valer a partir do dia 5 de junho.
A medida foi divulgada poucos dias após o senador Flávio Bolsonaro se reunir com Marco Rubio e solicitar ao governo norte-americano que as organizações brasileiras fossem enquadradas como grupos terroristas. O encontro aconteceu na Casa Branca, durante agenda nos Estados Unidos.
O jornal The New York Times destacou o assunto em reportagem publicada nesta quinta-feira. Na matéria, o veículo afirmou que a decisão ocorreu após meses de pressão política realizada por filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado político de Donald Trump.
Segundo o jornal americano, a decisão pode provocar novos desgastes diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos, justamente em um momento de tentativa de aproximação entre os governos. A publicação também menciona preocupações de autoridades brasileiras sobre possíveis impactos políticos relacionados às eleições presidenciais.
A reportagem aponta ainda que a classificação pode ampliar os poderes do governo norte-americano para aplicar sanções econômicas contra empresas, instituições ou pessoas que mantenham relações financeiras com organizações ligadas às facções.
Especialistas ouvidos pelo jornal destacaram que o PCC e o Comando Vermelho teriam ampliado sua atuação para setores da economia formal, incluindo distribuição de gás, mercado imobiliário, commodities e criptomoedas. Com isso, bancos e instituições financeiras brasileiras poderiam enfrentar maior pressão regulatória e riscos de sanções internacionais.