Política Interferência
EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e decisão repercute internacionalmente
Medida anunciada por Marco Rubio passa a valer em junho e ocorre após interlocução de Flávio Bolsonaro
29/05/2026 08h52
Por: Redação
EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e decisão repercute internacionalmente. Foto: Reprodução/Internet

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras ganhou repercussão na imprensa internacional nesta quinta-feira (28).

O anúncio foi feito pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que afirmou que as duas facções estão entre os grupos criminosos mais violentos do Brasil. Segundo o comunicado oficial, a nova classificação passa a valer a partir do dia 5 de junho.

A medida foi divulgada poucos dias após o senador Flávio Bolsonaro se reunir com Marco Rubio e solicitar ao governo norte-americano que as organizações brasileiras fossem enquadradas como grupos terroristas. O encontro aconteceu na Casa Branca, durante agenda nos Estados Unidos.

O jornal The New York Times destacou o assunto em reportagem publicada nesta quinta-feira. Na matéria, o veículo afirmou que a decisão ocorreu após meses de pressão política realizada por filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado político de Donald Trump.

Segundo o jornal americano, a decisão pode provocar novos desgastes diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos, justamente em um momento de tentativa de aproximação entre os governos. A publicação também menciona preocupações de autoridades brasileiras sobre possíveis impactos políticos relacionados às eleições presidenciais.

A reportagem aponta ainda que a classificação pode ampliar os poderes do governo norte-americano para aplicar sanções econômicas contra empresas, instituições ou pessoas que mantenham relações financeiras com organizações ligadas às facções.

Especialistas ouvidos pelo jornal destacaram que o PCC e o Comando Vermelho teriam ampliado sua atuação para setores da economia formal, incluindo distribuição de gás, mercado imobiliário, commodities e criptomoedas. Com isso, bancos e instituições financeiras brasileiras poderiam enfrentar maior pressão regulatória e riscos de sanções internacionais.