Em uma sessão extraordinária marcada pela tensão e por reviravoltas políticas nesta segunda-feira (27), a Câmara Municipal de São Francisco do Conde decidiu, via votação secreta, manter os vetos do prefeito Antônio Calmon às emendas orçamentárias que previam o redirecionamento de recursos para áreas sociais.
O desfecho da sessão consolidou uma vitória estratégica para o Executivo, mas abriu uma crise de credibilidade no Legislativo local.
Apenas um voto contrário aos vetos de Calmon foi registrado na urna. Embora o sigilo da votação impeça a identificação formal, o vereador Rafael Nogueira foi o único a assumir publicamente a posição de resistência, tornando-se a voz isolada contra a orientação da prefeitura.
Um dos pontos mais comentados nos bastidores foi o recuo das vereadoras Lorena e Dauana. Anteriormente incisivas na defesa das emendas que beneficiavam setores como educação e alimentação, ambas votaram a favor dos vetos, surpreendendo aliados.
A sessão também foi marcada por três ausências significativas:
Nem do Caípe (Presidente da Casa);
Lígia Santa Rosa;
Muriel.
No mesmo encontro, o Legislativo aprovou a liberação de recursos vultosos destinados diretamente à estrutura administrativa e de comunicação da prefeitura, aprofundando o desgaste entre os parlamentares e a opinião pública.
Enquanto emendas que reforçariam áreas essenciais foram derrubadas, os vereadores deram sinal verde para os seguintes montantes:
R$ 2,5 milhões: Para a contratação de assessoria jurídica exclusiva para o gabinete do prefeito.
R$ 500 mil: Destinados à publicidade institucional do gabinete.
A decisão marca uma reviravolta política significativa. Semanas antes, a própria Câmara havia aprovado emendas à Lei Orçamentária Anual (LOA) para corrigir deficiências na proposta original da Prefeitura, que era vista como insuficiente para atender demandas básicas da população. Com a manutenção dos vetos nesta última sessão, todas essas correções foram anuladas, e o orçamento voltou ao formato original exigido pelo Executivo.
Relatos indicam que o prefeito Antônio Calmon celebrou o resultado como um marco de sua força política.
A rapidez e a coesão da maioria dos vereadores em aprovar verbas para marketing e assessoria jurídica, ao mesmo tempo em que validaram cortes em emendas voltadas à saúde, educação e transporte, geraram uma onda de críticas na cidade. Para observadores políticos, o episódio deixa claro que a prioridade atual da gestão é o fortalecimento da "máquina" e da imagem institucional, em detrimento do suporte direto às camadas mais vulneráveis da população.