Política “Autoritária”
PL se reúne após forte crise entre Michelle e filhos de Bolsonaro;
A ex-primeira-dama afirmou que não pretende rebater diretamente os enteados
02/12/2025 14h32
Por: Redação
Primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Foto: PL / Divulgação

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou uma nota nas redes sociais na madrugada desta terça-feira (2) para se posicionar sobre as intensas críticas públicas que recebeu dos filhos de seu marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, após ela contestar a articulação do PL no Ceará com Ciro Gomes.

Michelle foi chamada de “autoritária” por Flávio Bolsonaro e teve sua posição contestada também por Carlos e Eduardo.

A ex-primeira-dama afirmou que não pretende rebater diretamente os enteados, mas usou a nota para pedir compreensão e perdão pela discordância.

Michelle Bolsonaro voltou a reafirmar sua oposição a qualquer aliança com o ex-governador cearense, citando motivos pessoais e políticos.

Críticas a Ciro Gomes

A ex-primeira-dama sustentou que sua rejeição a Ciro Gomes é motivada pelos ataques passados feitos por ele ao ex-presidente:

Ao abordar o conflito familiar, Michelle defendeu seu direito de ter uma opinião divergente: “Eu respeito a opinião dos meus enteados, mas penso diferente e tenho o direito de expressar meus pensamentos com liberdade e sinceridade”.

A ex-primeira-dama ainda destacou que é, antes de tudo, “mulher, mãe e esposa”. Sobre a posição de Jair Bolsonaro, ela afirmou não saber se ele apoia a aliança, mas que tem o direito de não aceitar a articulação, mesmo que fosse a vontade dele.

Críticas internas

Michelle havia criticado a articulação durante o lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo do Ceará, no domingo, quando afirmou. "É sobre essa aliança que vocês precipitaram a fazer. Fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita (Jair Bolsonaro), isso não dá".

A fala atingiu diretamente o deputado André Fernandes, responsável pela construção do acordo no estado. 

No dia seguinte, Flávio Bolsonaro reagiu dizendo que Michelle “atropelou” uma negociação previamente autorizada por Jair Bolsonaro, atualmente preso na Superintendência da Polícia Federal. Ele afirmou ao portal Metrópoles: "A forma com que ela se dirigiu a ele, que talvez seja nossa maior liderança local, foi autoritária e constrangedora".

Carlos Bolsonaro aderiu às críticas, sustentando que a aproximação com Ciro teve aval do pai. “Temos que estar unidos e respeitando a liderança do meu pai, sem deixar nos levar por outras forças”, escreveu. Eduardo Bolsonaro seguiu na mesma linha e declarou: “Meu irmão Flávio está correto. Foi injusto e desrespeitoso com o André o que foi feito no evento”.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DE MICHELLE

"Muitos têm me perguntado se vou responder às manifestações dos meus enteados: Não vou!

Vivemos tempos difíceis. Enfrentamos tempestades de injustiças em mares de perseguição agitados. Nesses períodos, é normal que os nervos fiquem à flor da pele e podemos vir a machucar aqueles a quem jamais gostaríamos de magoar.

Amo o meu marido, a minha filha e amo a vida dos meus enteados. Eu entendo e sofro a dor deles porque ela também é a minha dor. Quero lutar junto com eles pela liberdade e pela vida do meu marido porque o amo, cuidarei dele e o defenderei com unhas e dentes, como uma leoa que defende a sua família!

Eu respeito a opinião dos meus enteados, mas penso diferente e tenho o direito de expressar meus pensamentos com liberdade e sinceridade. Antes de ser uma líder política, eu sou mulher, sou mãe, sou esposa e, se tiver que escolher entre ser política, mãe ou esposa, ficarei com as duas últimas opções.

Como eu olharia nos olhos da minha filha quando ela um dia me questionasse por que eu teria apoiado (ou não falei nada quando pessoas do meu partido apoiaram) o homem que tanto mal fez ao pai dela? Desculpem-me; não sou assim! Acredito em uma política diferente. Não basta derrotar o PT e a esquerda; é preciso fazê-lo mantendo-nos fieis aos nossos valores e agirmos de maneira coerente com eles.

Foi por isso, e apenas por isso, que me manifestei no Ceará. Não podia ficar calada diante desses acontecimentos. Meu marido tem um coração bom (bom até demais!) e, por isso, tenho o dever de defendê-lo e de me manifestar contra situações que eu sei, serão prejudiciais a ele. Ciro Gomes não é e nunca será de direita. Nunca defenderá os nossos valores. Sempre será um perseguidor e um maledicente contra Bolsonaro.

No evento, vi nos olhos do povo que ama Bolsonaro, o mesmo desconforto e insatisfação que eu sinto. Penso que derrotar o PT dessa forma, seria o mesmo que trocar Joseph Stalin por Vladimir Lenin.

Aqueles que defendem essa aliança, são livres para continuar com ela, mas não deveriam me criticar por não aceitá-la. Eu tenho o direito de não aceitar isso, ainda que essa fosse a vontade do Jair (ele não me falou se é).

Muitas vezes, somos nós, esposas, que somos chamadas a mostrar aos nossos maridos que eles podem estar errando. Isso é normal em qualquer casamento e um precisa ajudar o outro. No episódio de Fortaleza, eu fui apenas uma esposa defendendo o seu marido e a sua família de um homem que sempre nos atacou.

Peço aos meus enteados que me entendam e me perdoem. Não foi minha intenção contraria-los. Eu, assim como eles, quero apenas o melhor para o nosso herói, seu pai, meu esposo e o maior líder que esse país já teve - Jair Messias Bolsonaro".