A crise política e administrativa que assola São Francisco do Conde chegou ao limite. Circula nas redes sociais e em carros de som uma convocação em tom urgente para que a população compareça à Câmara de Vereadores, nesta terça-feira, 2 de dezembro, das 8h às 13h, para assinar o pedido de impeachment do prefeito Antonio Calmon (PP).
A mensagem, que viralizou pela força das denúncias e pelo nível de indignação expressado, descreve um município mergulhado em abandono, atrasos, escândalos e desgoverno. O apelo pede que cada cidadão leve RG e Título de Eleitor, reforçando que a assinatura é a forma mais direta de participar do processo e “salvar São Francisco do Conde deste caos”.
Segundo o conteúdo da chamada, a mobilização surge como reação a um conjunto de problemas que, segundo a convocação, caracterizam a pior crise vivida pelo município em anos. Entre as acusações estão:
— Funcionários públicos há meses sem receber;
— Empresas locais quebrando por falta de pagamento;
— Comércio fechando as portas;
— Redução e corte de programas sociais fundamentais.
— Alunos sem aula;
— Universitários sem bolsa;
— Transporte estudantil suspenso, impedindo jovens de continuar a formação.
A convocação afirma que a cidade acumula obras largadas, desperdício de recursos e denúncias que “estão estourando por todos os lados”.
Também há menção a supostas perseguições contra opositores e lideranças políticas que criticam a atual gestão.
O chamado define a ação como um “momento histórico” para São Francisco do Conde. A população é conclamada a se posicionar diante do que é descrito como um governo que estaria “destruindo a cidade dia após dia”.
“Nós não podemos mais aceitar que São Francisco do Conde continue sendo destruída. O futuro depende da coragem de cada um de nós.”
A convocação pede que cada morador leve sua indignação — mas também sua esperança — para a Câmara, defendendo que a cidade “merece respeito”, “justiça” e o direito de “recomeçar”.
A mobilização promete ser decisiva na crise que já abala a administração de Antonio Calmon. A partir das assinaturas colhidas, o documento deve ser formalizado e entregue aos vereadores, abrindo espaço para os próximos passos do processo de impeachment.
Enquanto isso, São Francisco do Conde vive um clima de tensão política e expectativa. Os olhares agora se voltam para o plenário da Câmara, onde o futuro da gestão municipal ganhará um novo capítulo nos próximos dias.
A convocação popular para a assinatura do pedido de impeachment do prefeito Antonio Calmon (PP) em São Francisco do Conde não surge isolada. O histórico de Calmon e a pressão recente de servidores e entidades indicam um ambiente de alta tensão e profunda crise administrativa na cidade.
Histórico Conturbado e Recentes Denúncias
Antonio Calmon já enfrentou, em gestões anteriores, sérias acusações de corrupção e improbidade administrativa, sendo seu nome recorrente em denúncias de má gestão e desvio de recursos públicos.
As denúncias que motivam o atual movimento de impeachment ecoam problemas antigos e se concentram em pontos críticos:
Corrupção e Improbidade: Calmon foi acusado, em gestões passadas, de superfaturar contratos em mais de 2.100% e de fraudar licitações, com irregularidades amplamente divulgadas pela Controladoria Geral da União (CGU). Recentemente, a gestão foi alvo de questionamentos sobre a ausência do prefeito e sobre contratos milionários com a empresa conhecida como "Rei do Lixo", gerando preocupações sobre a falta de transparência.
Caos na Administração Pública: O Sindicato dos Servidores Públicos (Sindsefran) denunciou um "caos" na administração em setembro de 2025, apontando o "reajuste zero" na campanha salarial, atraso no pagamento de salários e retirada de benefícios (como auxílio-alimentação, insalubridade e periculosidade).
Serviços Públicos Prejudicados: A população tem sido penalizada com a suspensão de programas sociais essenciais, como o "Pão na Mesa". Além disso, o prefeito foi notificado para prestar esclarecimentos sobre as contas da prefeitura, conforme relatório do Tribunal de Contas.
Protestos Pessoais: Em um episódio que ganhou destaque, um empresário do ramo de comunicação visual protestou na porta do condomínio de Calmon, em Lauro de Freitas, cobrando uma dívida e alegando ter se sentido "traído" após participar da campanha eleitoral.