A Bahiafarma (Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico) deu um passo decisivo para se consolidar como polo de biotecnologia nacional. A instituição foi autorizada pelo Governo Federal a fabricar quatro medicamentos biológicos de alta complexidade, utilizados no tratamento de doenças oncológicas e raras.
O anúncio ocorreu nesta segunda-feira (24 de novembro de 2025) durante reunião do Grupo Executivo do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (GECEIS) e foi celebrado pelo governador Jerônimo Rodrigues, que destacou o investimento como um fortalecimento da produção nacional e da participação da Bahia no complexo industrial da saúde.
Assim, a parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) já autorizou a fabricação dos seguintes biológicos:
| Medicamento | Indicação principal |
|---|---|
| Bevacizumabe | Tratamento de vários tipos de câncer (colorretal, pulmão, rim, mama, ovário, entre outros) e degeneração macular. |
| Eculizumabe | Tratamento da Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN), uma doença rara. |
| Nivolumabe | Usado para melanoma avançado e câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP). |
| Pertuzumabe | Voltado ao tratamento de câncer de mama, tanto em estágio inicial quanto metastático. |
A produção local desses medicamentos biológicos estratégicos — que incluem o bevacizumabe, eculizumabe, nivolumabe e pertuzumabe — traz múltiplos benefícios:
Autonomia para o SUS: Reduz a dependência de importações, reforçando a soberania sanitária do país e garantindo um abastecimento mais seguro e regular para o Sistema Único de Saúde.
Economia de Recursos: O Ministério da Saúde estima que a produção nacional, especialmente do medicamento eculizumabe, resultará em uma significativa economia de recursos públicos nos próximos anos.
Desenvolvimento Tecnológico: A Bahiafarma se consolida como um polo de biotecnologia no Nordeste. Segundo a secretária estadual de Saúde, Roberta Santana, "o biológico é o que há de mais avançado em tecnologia de medicamentos".
Parceria Estratégica: A Fundação formalizou cooperação com a Bionovis, empresa brasileira especializada, garantindo a transferência de tecnologia e produção local.
Fortalecimento do CEIS: O projeto alinha-se à política pública do GECEIS de descentralizar a produção de insumos essenciais e promover a inovação no setor de saúde.
Apesar da conquista, a Bahia ainda tem um caminho a percorrer. A multianualização dos projetos exige investimento contínuo na construção da planta biotecnológica e na internalização de toda a tecnologia. Além disso, é crucial manter as parcerias para garantir a produção sustentável e assegurar que os novos medicamentos cheguem ao SUS com preço acessível e regularidade.
Com este movimento, a Bahia reforça seu protagonismo, impulsionando pesquisa e garantindo maior acesso a tratamentos de alta complexidade para a população.