Nesta quinta-feira (20), o Brasil celebra, pelo segundo ano consecutivo como feriado nacional, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. A data, oficializada em novembro de 2023 pelo presidente Lula (PT), representa um marco histórico no reconhecimento da resistência do povo negro contra o racismo estrutural e reforça a necessidade de políticas públicas antirracistas em todo o país.
A celebração já constava no calendário nacional desde 2011, quando a então presidente Dilma Rousseff (PT) instituiu o 20 de novembro como Dia da Consciência Negra em homenagem a Zumbi dos Palmares e Dandara.
Nascido por volta de 1580, Zumbi foi líder do Quilombo dos Palmares, localizado na Serra da Barriga, região que hoje pertence ao estado de Alagoas. Escravizado ainda criança, tornou-se símbolo máximo da resistência negra à escravidão no Brasil colonial.
Zumbi foi morto em combate pelas tropas portuguesas e teve sua cabeça cortada, salgada e exposta no Pátio do Carmo, em Recife, numa tentativa de destruir a crença popular de que seria imortal. Quase três séculos depois, sua trajetória foi reconhecida como símbolo da luta por liberdade e justiça racial.
O Dia Nacional da Consciência Negra é uma data de celebração, reflexão e luta. O objetivo é destacar a força, resistência e sofrimento vividos pelo povo negro desde a chegada forçada de africanos ao Brasil.
Durante o período colonial, cerca de 4,6 milhões de africanos foram escravizados no país — o maior número de toda a diáspora africana. Submetidos a trabalhos forçados, tratamento degradante e sem acesso à educação ou à saúde, esses homens, mulheres e crianças foram fundamentais na formação econômica e cultural do Brasil.
A data também reforça o papel da cultura africana na construção da identidade nacional, influenciando a música, a religiosidade, a política, a gastronomia e diversas outras áreas.
O Brasil foi um dos últimos países das Américas a abolir a escravidão, com a assinatura da Lei Áurea, em 1888. Contudo, a medida não trouxe reparação nem garantias de cidadania aos negros libertos. Sem políticas de inclusão, foram deixados à margem da sociedade — realidade que ainda reflete nas desigualdades atuais.
O 20 de novembro reforça a luta antirracista e dá visibilidade à urgência de combater a discriminação, garantindo direitos, oportunidades e respeito para a população negra em todos os espaços.