Bahia Sítio Arqueológico
Estacionamento: Cemitério de escravizados pode ter mais de 100 mil pessoas em Salvador
O achado ocorreu após a comparação entre mapas antigos e imagens de satélite atuais.
27/10/2025 16h40
Por: Redação
Foto: Divulgação/ Arqueólogos Consultoria e Pesquisa Arqueológica

Um cemitério histórico localizado no estacionamento da Pupileira, pertencente à Santa Casa de Misericórdia da Bahia, em Salvador, foi identificado como o maior da América Latina, podendo abrigar os restos mortais de mais de 100 mil pessoas. A confirmação veio após uma pesquisa arqueológica divulgada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) na última semana.

Os dados foram apresentados a representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), da Fundação Gregório de Matos (FGM) e do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac). O cemitério é um importante marco histórico, especialmente pela possibilidade de abrigar os corpos de africanos escravizados e pessoas pobres sepultadas no período colonial e imperial.

A descoberta foi feita durante uma pesquisa de doutorado desenvolvida pela arqueóloga Silvana Olivieri, da Universidade Federal da Bahia (Ufba). O achado ocorreu após a comparação entre mapas antigos e imagens de satélite atuais. As escavações começaram em 14 de maio deste ano, e, em apenas três dias de trabalho, os primeiros vestígios humanos foram encontrados.

Apesar da relevância arqueológica, o espaço ainda funciona como estacionamento da Santa Casa, o que gerou preocupação entre autoridades e pesquisadores. O MP-BA solicitou à instituição a suspensão imediata do uso do local até que haja uma definição sobre sua preservação.

A pesquisadora Silvana Olivieri também encaminhou um pedido formal para que o Iphan reconheça o espaço como o “Sítio Arqueológico Cemitério dos Africanos”, o que garantiria proteção legal e o devido respeito à memória histórica das pessoas ali sepultadas.

O caso reacende o debate sobre a preservação da memória afro-brasileira e o respeito aos locais históricos ligados à escravidão, que marcaram profundamente a formação social e cultural da Bahia e do Brasil.