Sob um clima de caos, tensão e revolta popular, a Câmara de Vereadores de São Francisco do Conde aprovou, na manhã desta quinta-feira (23), o polêmico projeto de lei enviado pelo prefeito Antônio Calmon que corta drasticamente o valor e a abrangência do programa social "Pão na Mesa".
A sessão foi marcada por um intenso protesto, com centenas de populares lotando o plenário em manifestação de repúdio. Vereadores que votaram a favor do corte foram chamados de "traidores do povo" em meio a gritos e vaias.
A votação terminou em um apertado placar de 7 a 6, após o presidente da Câmara, Nem do Caípe, desempatar em favor do projeto do Executivo, selando o que foi chamado de "pacote de maldade" contra as famílias mais pobres.
O projeto aprovado faz três mudanças críticas:
Reduz o valor das parcelas do programa "Pão na Mesa".
Exclui famílias que já recebem o Bolsa Família.
Entrega ao prefeito o poder de limitar, por decreto, o número de beneficiários.
O programa, que estava suspenso há mais de um ano, agora volta com valor e alcance significativamente menores, atingindo milhares de famílias.
O dia entrou para a história política da cidade como um dos mais tensos. Os protestos foram tão intensos que a sessão foi marcada pelo uso de spray de pimenta pela Polícia Militar para tentar conter a multidão. Em um ato de desespero, um cidadão chegou a se acorrentar às grades do plenário.
A votação só prosseguiu após ser convocada às pressas, em uma sessão extraordinária alvo de acusações de nulidade por parte da oposição. O pedido de urgência, feito pelo vereador Luís de Campinas, permitiu a aprovação relâmpago do texto.
Votaram a favor do corte: Pantera, Luís de Campinas, Neguinho, Sandrinha da Pizzaria, Pita de Gal e Joinha, além do voto de desempate do Presidente Nem do Caípe.
Votaram contra o projeto: Rafael Nogueira, Lígia Costa Rosa, Daoana Sales, Lorena de Reizinho, Fábio de Vanessa e Muriel Já É.
Para muitos, a votação desta quinta-feira ficará marcada na história política de São Francisco do Conde como o dia em que a vontade do povo foi silenciada e o poder se sobrepôs à justiça social.