Política Tensão e Tumulto
Tensão e repressão marcam sessão da Câmara de São Francisco do Conde que vota redução do programa “Pão na Mesa”; Spray de pimenta, confusão e censura
Sessão extraordinária conduzida por Nem do Caípe é considerada ilegal por juristas; uso de spray de pimenta deixa pessoas passando mal e interrompe temporariamente os trabalhos
23/10/2025 10h10 Atualizada há 4 meses
Por: Redação Fonte: Jornal Candeias
Tensão e repressão marcam sessão da Câmara de São Francisco do Conde que vota redução do programa “Pão na Mesa”; Spray de pimenta, confusão e censura

A manhã desta quinta-feira (23) está sendo marcada por tensão e tumulto na Câmara Municipal de São Francisco do Conde, durante a sessão extraordinária convocada pelo presidente Nem do Caípe para votar o projeto que reduz o valor e exclui beneficiários do programa social “Pão na Mesa”.

Desde o início dos trabalhos, o clima é de intimidação e censura. Antes mesmo de abrir oficialmente a sessão, o presidente ordenou que fosse projetado no telão o artigo 39 do Regimento Interno — que trata do comportamento do público nas galerias — como forma de advertência a quem se manifestasse contra a proposta.

Juristas classificam a sessão como ilegal, por não atender requisitos regimentais e por restringir a participação popular, violando o princípio da publicidade e da transparência das sessões legislativas.

Durante o protesto, um cidadão conhecido como Valdomiro se acorrentou no plenário em sinal de repúdio à redução do benefício, ato que gerou forte reação entre os presentes. Em seguida, o presidente determinou a intervenção policial, e agentes usaram spray de pimenta para conter os manifestantes.

O gás se espalhou rapidamente pelo plenário, atingindo vereadores, servidores e cidadãos, que passaram mal com tosse e irritação nos olhos. O episódio interrompeu momentaneamente a sessão, que segue sob forte tensão.

Do lado de fora, moradores e beneficiários do programa continuam mobilizados, denunciando o que chamam de “ato autoritário e antidemocrático”.

“O povo só quer defender seu direito de comer. É revoltante ver o presidente tentar calar a voz de quem mais precisa”, afirmou uma manifestante.

A sessão prossegue sob protestos e clima de instabilidade. Vereadores da oposição tentam dialogar para suspender a votação e garantir que o debate ocorra de forma transparente e dentro da legalidade.