A sessão desta terça-feira (21) na Câmara Municipal de São Francisco do Conde foi marcada por fortes debates e reações contrárias após o prefeito Antônio Calmon (PP), encaminhar um novo projeto de lei propondo mudanças no programa social “Pão na Mesa”, o que, na prática, representa cortes no benefício destinado às famílias em vulnerabilidade.
A proposta foi apresentada de forma repentina, sem aviso prévio aos vereadores, o que gerou surpresa e descontentamento entre os parlamentares. O secretário de Administração, Aloísio Oliveira, esteve presente na tribuna para defender o projeto e justificar a necessidade de reformulação do programa.
No entanto, cinco vereadores se posicionaram contra a proposta do Executivo: Lorena de Reizinho (Republicanos), Dra. Lígia (Republicanos), Muriel (PP), Daoana (PP) e Rafael Nogueira (PSDB). O grupo criticou a maneira como o tema foi conduzido e reafirmou o compromisso com a população beneficiada pelo programa.
“Não vou votar contra o povo que me colocou aqui”, declarou a vereadora Lorena de Reizinho, recebendo aplausos de parte do público presente.
O vereador Rafael Nogueira também reagiu com indignação ao modo como o projeto foi apresentado.
“Fui surpreendido. É uma falta de respeito o prefeito mandar recado e não ter a coragem de vir aqui explicar ao povo o que realmente está acontecendo”, afirmou.
A medida proposta por Calmon ocorre após o prefeito perder todos os recursos judiciais em que tentava suspender o pagamento do benefício. A Justiça advertiu a gestão municipal sobre a possibilidade de intervenção estadual, caso a decisão que obriga o pagamento não fosse cumprida.
Outro ponto que gerou críticas foi a ausência da Secretaria de Desenvolvimento Social, responsável direta pelo “Pão na Mesa”, que não enviou representantes para esclarecer as alterações propostas.
A votação do novo projeto deve ocorrer nos próximos dias e promete acalorar ainda mais o cenário político em São Francisco do Conde. Enquanto cresce a pressão popular pela manutenção integral do programa e dos valores originais, vereadores da base e da oposição travam uma disputa direta sobre o futuro de um dos principais programas sociais do município.