O movimento de protesto dos cegonheiros da Bahia contra a montadora BYD vem ganhando força desde o último dia 3 de outubro, quando o sindicato da categoria anunciou mobilizações em Camaçari. Os trabalhadores denunciam que foram excluídos do novo arranjo logístico da fábrica e ameaçam bloquear rodovias caso não haja diálogo com autoridades e representantes da empresa.
No primeiro dia de mobilização, dezenas de manifestantes se concentraram em frente à unidade da BYD exigindo respostas do governo estadual, federal e da própria montadora. Segundo o sindicato, contratos antes garantidos aos cegonheiros baianos foram repassados a empresas de outras regiões, deixando os trabalhadores locais sem espaço no transporte de veículos.
Já no sábado (4), a manifestação cresceu. Mais de 50 caminhões-cegonha ocuparam a entrada do complexo industrial, bloqueando parcialmente o acesso. Um grande banner com frases de repúdio em português, inglês e chinês foi estendido em frente à fábrica, em protesto simbólico contra a exclusão da categoria.
A expectativa é de que a mobilização se intensifique nos próximos dias, sobretudo diante da visita confirmada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do prefeito Luiz Caetano, marcada para o dia 9 de outubro. Os cegonheiros afirmam que, caso não haja respostas concretas até a data, bloqueios em rodovias poderão ser realizados.
A principal demanda do movimento é a garantia do direito ao trabalho. Os trabalhadores pedem a retomada dos contratos ou, ao menos, compensações pelas perdas provocadas pelo novo modelo logístico adotado pela BYD.
Antes da chegada da montadora chinesa, os cegonheiros locais eram responsáveis pelo transporte dos veículos produzidos na região. Com a reorganização das operações, parte significativa desses contratos foi transferida para uma empresa do Sul do país, decisão que, segundo a categoria, contou com aval de instâncias políticas.
As lideranças do movimento alertam que a exclusão ameaça a sobrevivência econômica de dezenas de famílias, que dependiam da atividade para manter renda estável. Até o momento, o impasse segue sem acordo, e a pressão deve aumentar com a proximidade da visita presidencial.