Bahia Publicação
Prefeitura divulga nomes de pessoas vivendo com HIV em Diário Oficial
A divulgação ocorreu no contexto de um decreto que determinava a suspensão do benefício de passe livre no transporte coletivo urbano.
22/09/2025 11h26
Por: Redação
Reprodução/Internet

A Prefeitura de Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, se envolveu em polêmica após a publicação de uma lista com os nomes de mais de 600 pessoas vivendo com HIV, no Diário Oficial do Município, no último sábado (20). A divulgação ocorreu no contexto de um decreto que determinava a suspensão do benefício de passe livre no transporte coletivo urbano.

Além das pessoas que vivem com HIV, também tiveram seus nomes expostos pacientes com fibromialgia e anemia falciforme. A edição do Diário Oficial foi retirada do ar poucas horas depois.

Nota da prefeitura

Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SEMOB) atribuiu a publicação a uma falha do sistema e pediu desculpas pelo ocorrido.

“Lamentamos profundamente a falha e reforçamos nosso compromisso com a preservação da privacidade e da dignidade das pessoas”, afirmou a pasta.

Contexto da suspensão do passe livre

De acordo com a portaria publicada, a medida atende a uma decisão judicial que revogou tutela provisória de urgência que garantia o benefício. O documento determinava ainda que os beneficiários deveriam devolver seus cartões em até cinco dias úteis e apresentar defesa escrita ou documentos na sede da SEMOB, no bairro Mangabeira, sob risco de suspensão ou cancelamento definitivo do passe livre.

Avanços no tratamento do HIV

Especialistas reforçam que hoje um diagnóstico positivo para o vírus HIV não é mais uma sentença de morte. Com os avanços da medicina, a expectativa de vida de pessoas que vivem com HIV foi transformada. Com o tratamento adequado, é possível levar uma vida ativa e saudável.

Além disso, há medicamentos que atuam na prevenção, como a profilaxia pré-exposição (PrEP), disponibilizada pelo Ministério da Saúde. O remédio pode ser usado diariamente ou de forma esporádica, até 24 horas antes de uma relação sexual desprotegida, e é recomendado para pessoas em maior situação de vulnerabilidade ao vírus.

Privacidade e proteção de dados

A exposição de nomes de pacientes pode configurar violação de direitos fundamentais. A Constituição Federal assegura a inviolabilidade da intimidade, da vida privada e do sigilo de dados. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) também classifica como sensíveis as informações relacionadas à saúde.

O Código de Ética Médica e normas do Sistema Único de Saúde (SUS) reforçam a necessidade de confidencialidade, principalmente em casos que envolvem pessoas vivendo com HIV, para evitar estigmatização e discriminação.