Bahia Eunápolis
Romance, compra de votos e fuga de presos ligam ex-diretora de presídio a líder de facção e político
Diretora do presídio foi denunciada por ter facilitado a fuga de detentos do Primeiro Comando de Eunápolis
04/07/2025 17h34
Por: Redação
Joneuma Silva Neres. Foto: Reprodução

Um escândalo de proporções alarmantes abala o sistema prisional e a política de Eunápolis. Investigações do Ministério Público da Bahia (MP-BA) revelam não apenas um suposto romance entre a ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, e o líder da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como Dadá, mas também um complexo esquema de compra de votos envolvendo os dois e um ex-deputado federal.

Joneuma Silva Neres, que está presa desde janeiro por facilitar a fuga de 16 detentos em dezembro de 2024, foi denunciada à Justiça. As informações acessadas pela TV Bahia indicam que a negociação de votos se dava por cerca de R$ 100 por eleitor.

 

Esquema de compra de votos e acobertamento de facção

O processo aponta que Joneuma utilizava seu cargo para conceder benefícios a integrantes de facções dentro do presídio. Essa influência teria sido usada para possibilitar encontros entre Dadá e o ex-deputado federal Uldurico Jr., que seria padrinho político da ex-diretora. Uldurico Jr. foi candidato à prefeitura de Teixeira de Freitas no último pleito, em 2024.

O acordo entre Dadá, líder do PCE, e Uldurico Jr. previa o acobertamento das ações da facção dentro e fora da unidade prisional. Em troca, eram "prometidos" votos de detentos provisórios ligados à facção, bem como de seus familiares e amigos, que recebiam o valor de cerca de R$ 100. Joneuma, por sua vez, ganharia o apoio de Uldurico para se manter no cargo de diretora da instituição.

As investigações sugerem que Joneuma teria recebido R$ 1,5 milhão da facção e planejava fugir para o Rio de Janeiro, onde o PCE tem aliança com o Comando Vermelho (CV). A defesa da ex-diretora, no entanto, nega veementemente as acusações. "Em nenhum momento [ela] recebeu qualquer tipo de valor. Foi requerido a quebra do sigilo bancário, no momento que quiserem, eles têm acesso, porque em nenhum momento qualquer dinheiro vinculado à facção foi recebido por ela", afirmou o advogado.

 

Relação amorosa e paternidade

Ainda sobre a relação entre Joneuma e Dadá, o ex-coordenador do presídio Wellington Oliveira, também preso em janeiro por suspeita de cumplicidade, não confirmou um romance, mas relatou que os dois frequentemente tinham encontros a sós com o visor da porta coberto por papel, conduta que causava estranhamento entre os funcionários.

Joneuma foi presa em janeiro, enquanto estava grávida. A criança nasceu prematura e atualmente está com a mãe no Conjunto Penal de Itabuna. Em abril, ela ingressou com um pedido judicial de auxílio financeiro para arcar com os custos da gravidez contra o ex-deputado federal Uldurico Junior, alegando que o político seria o pai da criança.

Uldurico Jr. é citado nas investigações como um dos políticos que possuíam livre acesso aos presidiários, inclusive líderes de facção como Dadá, sem passar por revistas ou inspeções. Um policial penal ouvido no processo confirmou que o ex-parlamentar se comunicava com frequência com presos e líderes de facção.

Procurado pela TV Bahia, o advogado do ex-deputado afirmou que "Uldurico Junior diz não responder a nenhuma acusação e que tem pressa para fazer o teste de DNA". O caso segue em investigação, revelando uma intrincada rede de corrupção e abuso de poder.