A celebração da Independência do Brasil na Bahia, nesta quarta-feira (2), no Pelourinho foi marcada por um incidente. Uma professora e manifestante foi empurrada por um homem, suposto apoiador da Prefeitura de Salvador, durante a passagem do cortejo cívico do 2 de Julho.
Um vídeo registrado por uma pessoa que estava no local, mostra o momento em que o homem empurra a manifestante em frente à Igreja do Rosário dos Pretos. Analia Santana, professora da Rede Municipal há 25 anos, relatou o ocorrido em entrevista ao portal.
"A gente estava lá com os nossos cartazes, em um movimento lindíssimo, o que pode ter sido uma lástima para eles. A nossa luta vai continuar. Estávamos lá na frente da igreja, passou caboclo, passou o movimento, todo o cortejo e a gente reverenciando. Em seguida, depois que passou caboclo, veio a comitiva do senhor prefeito com o ex-prefeito e a vice, e toda a comitiva. Os funcionários especializados e funcionários das prefeituras dos bairros, que fazem o papel de capitão do mato, promoveram a violência contra os servidores, contra as pessoas que estão exercendo o seu direito. Então foi nesse sentido que aconteceu", contou Analia, que, felizmente, não se machucou com a queda.
Analia criticou veementemente a ação dos prepostos da gestão municipal. "É uma ação truculenta e violenta contra pessoas que estavam manifestando, que não apresentaram nenhuma ação de agressão. Não fomos agressivos com eles. Ninguém foi! Foi comigo e com outros professores também", explicou.
No momento em que foi empurrada, a professora segurava um cartaz com a frase: "Professoras/es, lutar não é crime. Piso e plano de carreira já!", que acabou danificado. Em seguida, a manifestante pegou outro cartaz com a mensagem: "Prefeito, a educação de Salvador merece respeito".
A categoria de professores da Rede Municipal de Salvador está em greve há mais de 50 dias. Os profissionais cobram da gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil) a revogação da lei 9865/2025, que, segundo eles, acaba com o plano de carreira dos professores, além do pagamento do piso salarial da categoria.
O incidente durante uma data tão simbólica como o 2 de Julho ressalta a tensão entre a prefeitura e os servidores da educação em greve, e a forma como as manifestações pacíficas estão sendo tratadas.
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