Política Desrespeito
Lula reage a ataque em ser chamado de nove dedos e transforma trajetória de vida em destaque no debate com Flávio Bolsonaro
Último confronto presidencial na TV Globo foi marcado por troca de acusações, discussão sobre direitos dos trabalhadores, investimentos no Nordeste, pandemia, agronegócio e valorização do salário mínimo.
24/10/2026 07h36
Por: Redação
Lula participa de debate na Globo nesta sexta-feira (23). Foto: Reprodução, TV Globo

O debate presidencial promovido pela TV Globo na noite de sexta-feira (23) foi marcado por momentos de tensão entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno das eleições de 2026. Um dos principais embates ocorreu quando Flávio fez referência à perda de um dedo da mão esquerda de Lula, consequência de um acidente de trabalho sofrido pelo presidente aos 17 anos.

A declaração provocou uma reação indignada de Lula, que relembrou sua trajetória como trabalhador metalúrgico e cobrou respeito aos milhões de brasileiros que dependem do próprio trabalho para sobreviver.

“Se tem alguém nesse público que sabe o que é o mundo do trabalho, sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos fui eu, trabalhando à noite porque precisava trabalhar”, afirmou o presidente.

Lula também criticou as condições que expõem trabalhadores a acidentes e destacou a responsabilidade dos empregadores na prevenção de riscos ocupacionais.

O episódio teve novos desdobramentos durante o debate. Flávio Bolsonaro pediu desculpas ao presidente pela referência aos “nove dedos”, embora também tenha cobrado desculpas de Lula por declarações feitas durante a campanha. O confronto se tornou um dos momentos mais comentados do último debate antes da votação de domingo (25).

Trajetória de Lula e apelo à democracia

Nas considerações finais, Lula voltou a destacar sua história pessoal e política. O presidente mencionou os diferentes trabalhos que realizou desde a infância, incluindo atividades como vendedor ambulante e engraxate, até chegar à profissão de torneiro mecânico e, posteriormente, à Presidência da República.

Lula agradeceu aos brasileiros que acompanharam o debate e pediu votos para o segundo turno. Em seu discurso, apresentou a eleição como uma decisão sobre os rumos políticos do país e defendeu a continuidade do funcionamento das instituições democráticas.

O presidente também chamou o adversário de “fanaticamente mentiroso” e afirmou que os eleitores deveriam avaliar as propostas e a trajetória dos dois candidatos antes de decidir o voto.

Nordeste e transposição do Rio São Francisco

A situação do Nordeste esteve entre os assuntos discutidos pelos candidatos. Flávio Bolsonaro atribuiu ao governo de seu pai, Jair Bolsonaro, a conclusão de obras relacionadas à transposição do Rio São Francisco. Lula, por sua vez, defendeu o histórico de investimentos de seus governos na infraestrutura hídrica e em outras áreas da região.

O projeto de integração do Rio São Francisco é uma obra de grande porte, concebida para ampliar a segurança hídrica de municípios do semiárido nordestino. Sua execução ocorreu ao longo de diferentes governos, o que torna necessário distinguir as etapas de construção, conclusão e operação do empreendimento ao avaliar as afirmações dos candidatos.

Lula também mencionou investimentos em adutoras, universidades, institutos federais e atividades industriais. Ao defender maior atenção à região, afirmou que os nordestinos merecem igualdade de condições e respeito em relação às demais regiões do país.

Pandemia e críticas ao governo Bolsonaro

A condução da pandemia de Covid-19 também foi tema de confronto. Lula voltou a criticar a atuação do governo de Jair Bolsonaro durante a crise sanitária e recordou declarações e episódios que provocaram controvérsia pública, incluindo a reação do então presidente às pessoas que enfrentavam dificuldades respiratórias.

Flávio Bolsonaro contestou a interpretação apresentada pelo adversário e argumentou que o episódio havia sido retirado de contexto. O tema reacendeu a disputa entre os candidatos sobre a responsabilidade do governo federal durante a pandemia e as consequências da crise para a população brasileira.

Agronegócio e agricultura familiar

Na discussão sobre o setor agropecuário, Lula defendeu os investimentos realizados durante sua gestão no financiamento da produção, no apoio ao agronegócio e no incentivo à agricultura familiar.

O presidente afirmou que seu governo ampliou as oportunidades para produtores brasileiros e destacou a abertura de mercados internacionais para produtos nacionais.

Ao abordar as tensões comerciais com os Estados Unidos, Lula defendeu a diversificação das relações comerciais brasileiras e afirmou que o país pode buscar compradores em outros mercados caso encontre barreiras comerciais.

Salário mínimo e poder de compra

A política de valorização do salário mínimo também ocupou espaço no debate. Lula defendeu os reajustes acima da inflação promovidos por seu governo e argumentou que a recuperação do poder de compra beneficia trabalhadores, aposentados e famílias de baixa renda.

O presidente afirmou que, sem a política de valorização, o salário mínimo seria de apenas R$ 900. A declaração foi utilizada como argumento político durante o confronto, mas o valor hipotético depende de uma comparação econômica que exige considerar os reajustes efetivamente concedidos e a evolução da inflação ao longo dos anos.

Em 2026, o salário mínimo nacional está fixado em R$ 1.621, conforme decreto publicado pelo governo federal.

Debate termina com disputa sobre os rumos do país

O último confronto televisivo antes do segundo turno reuniu discussões sobre economia, políticas sociais, saúde pública, segurança, relações comerciais e o histórico dos dois grupos políticos.

Além da apresentação de propostas, o encontro foi marcado por ataques pessoais e cobranças mútuas. Com a votação marcada para domingo (25), os candidatos buscaram convencer os eleitores sobre qual projeto político deve conduzir o país nos próximos anos.