O general Santos Cruz, ex-ministro Chefe da Secretaria de Governo do Brasil durante o primeiro ano do governo Jair Bolsonaro, afirmou que os Estados Unidos estão interferindo diretamente nas eleições brasileiras. A declaração foi dada em uma entrevista concedida ao canal Calma Urgente publicada na manhã desta sexta-feira (16).
Autodeclarado direitista e nacionalista, Santos Cruz criticou a postura da família Bolsonaro na busca de apoio do governo de Donald Trump, classificando a ação como um “ataque à soberania do Brasil” e uma “traição à pátria”. O general atribui a normalização de tais condutas ao fanatismo inflamado pelo bolsonarismo. “O fanatismo apaga tudo. Apaga se você é corrupto, se você é pedófilo, se você é traidor”, argumenta o general durante a entrevista.
“Vai ser vergonhoso um presidente nosso ter uma foto de pé em posição de subalterno ao presidente dos Estados Unidos”, diz ainda o general ao comentar sobre a fotografia que Flávio Bolsonaro registrou na Casa Branca ao lado de Trump em maio deste ano. Em contrapartida, ele indica que “se o atual governo ganhar, os Estados Unidos vão ter que negociar todos os interesses dele”.
A perspectiva de um abandono de relações bilaterais com a China em favor da dependência da economia estadunidense é outro ponto tocado por Santos Cruz. “Por que você vai dar preferência para aquele que não é o seu principal parceiro comercial?”, comenta.
Numa avaliação do atual governo, Santos Cruz comenta que Lula tem sido mais ágil do que foi Jair Bolsonaro no combate ao crime organizado, mas que necessita de um reformulação da sua política econômica.
“Esse extremismo que a gente vê aí não é direita, é vigarice”, aponta o general a respeito da atual disputa eleitoral. Apesar de se declarar de direita, ele diz que Flávio Bolsonaro não representa os interesses do seu polo político.