Política Entrevista
Flávio Bolsonaro cita Huck e executivo demitido e leva sermão de Renata Lo Prete
O assunto surgiu depois de a apresentadora do Jornal da Globo questionar Flávio sobre os R$ 70 milhões pagos por Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro
17/10/2026 11h36
Por: Redação
Flávio Bolsonaro cita Huck e executivo demitido e leva sermão de Renata Lo Prete. Foto: Reprodução/Internet

Apesar do almoço de Flávio Bolsonaro com o presidente do Grupo Globo horas antes da sabatina do candidato ao vivo na TV, Renata Lo Prete não pegou leve com o senador na noite desta sexta-feira (16). Ela chegou a dar um sermão no presidenciável após ele citar a relação de Daniel Vorcaro com Luciano Huck e com Frederic Kachar, ex-diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio do conglomerado, demitido na quinta (15) após conversas dele com o banqueiro virem à tona. "São coisas bem diferentes", ressaltou a âncora.

O assunto surgiu depois de a apresentadora do Jornal da Globo questionar Flávio sobre os R$ 70 milhões pagos por Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.

"Com os recursos que foram aportados por ele [Vorcaro] e mais outros investidores, nós conseguimos concluir o filme. Simples assim. Uma relação privada, um dinheiro totalmente lícito, como era também o dinheiro aqui na Globo", começou a responder o senador.

"O programa do Luciano Huck recebeu mais de R$ 100 milhões, R$ 160 milhões, se não me engano, para fazer uma propaganda do banco do Vorcaro. E o que tem de errado nisso? Nada. Um diretor da Globo acabou de ser exonerado porque ele promovia eventos bancados pelo Vorcaro no Valor Econômico, lá em Nova York. Tem alguma coisa de errado? Eu acho que não, mas ele feriu o código de ética da empresa e sofreu as consequências. Da minha parte, não tem nada de errado", minimizou Flávio.

Renata esperou o político concluir sua fala para rebater o que ele havia dito. "Candidato, eu preciso fazer dois esclarecimentos. Primeiro a questão dos patrocínios. É importante a gente esclarecer que compra de espaço comercial, de patrocínio, não é igual a financiamento de filme. As compras de patrocínio na programação da TV Globo obedecem a regras de transparência, são ditadas pelo mercado. E mais importante, até para a nossa conversa ficar clara, elas não têm nada a ver com a linha editorial e com a independência editorial do Jornalismo da TV Globo", falou a âncora, calmamente.

"A outra questão é a do então diretor do Grupo Globo, que teve conversas reveladas com o Daniel Vorcaro, isso foi revelado anteontem, e ontem ele foi desligado da empresa ontem. Então são coisas bem diferentes", cravou ela.

As perguntas sobre Vorcaro ainda renderam outro momento inusitado. Quando Flávio citou um suposto áudio em que o banqueiro diz que deu R$ 30 milhões "por fora" para a produção de um filme sobre Lula, Renata o cortou. "Candidato, já que o senhor mencionou esse áudio, eu preciso fazer uma coisa importante", disparou a jornalista.

"Eu tenho procurado pautar essas entrevistas por fatos estabelecidos, respaldados ou nas investigações dos órgãos competentes, ou de apurações jornalísticas da TV Globo. Só com base nisso, eu estou lhe fazendo perguntas. Então, eu sugiro que a gente não traga essa história aqui porque ela mistura coisas que a gente não ter o terreno firme para pisar", apontou.

"Eu estou fazendo essas perguntas sobre o financiamento do filme porque o seu pai não é qualquer pai, ele é ex-presidente da República, e o senhor não é qualquer filho, o senhor é candidato à Presidência da República", distinguiu. "E eu vou responder todas", assegurou Flávio Bolsonaro.

A âncora ainda adotou uma postura incisiva ao questionar o político sobre sua mudança de posicionamento sobre o fim da escala 6x1, sobre a prorrogação do mandato presidencial para cinco anos, sobre a relação do ministro Kassio Nunes Marques (indicado por Jair Bolsonaro ao STF) com Vorcaro e sobre a prisão de Márcio Canella e Rodrigo Bacellar, próximos do candidato. 

Renata ainda foi sarcástica ao perguntar sobre a proposta de Flávio de retirar a marcação das cápsulas de munição vendidas a civis, atiradores e policiais, o que na prática dificultaria investigações. Ele disse que era um "detalhezinho" e que o importante era acabar com a impunidade. Ao terminar sua fala, o político questionou se ela havia entendido. "Entendi que eu fiquei sem resposta", disparou a jornalista, sem hesitar.