A Polícia Civil da Bahia iniciou o envio de notificações diretas para pessoas que estejam utilizando aparelhos celulares com registro ativo de furto ou roubo. A medida faz parte de uma nova fase da Operação Mobile 360º, iniciativa que já contabiliza mais de 10 mil smartphones recuperados no estado desde a sua primeira edição.
A estratégia busca contatar os atuais possuidores desses telefones para que compareçam voluntariamente às unidades policiais e realizem a entrega do bem, permitindo que a restituição seja feita aos legítimos proprietários.
Diante do início dos envios, a Polícia Civil reforçou as orientações para que a população não seja vítima de fraudes ou golpes virtuais praticados por estelionatários. A notificação verdadeira emitida pelo órgão possui características específicas:
Sem Links: A mensagem oficial não contém nenhum link para ser clicado.
Sem Solicitação de Dados: O órgão não pede senhas, códigos de verificação por SMS/WhatsApp, envio de documentos ou cadastros pessoais de qualquer natureza.
Orientação Clara: O texto informa apenas o dever de comparecimento e indica qual delegacia o cidadão deve procurar para regularizar a situação do aparelho adquirido.
O foco da ação é possibilitar que pessoas que compraram os celulares sem o conhecimento da origem ilícita (de boa-fé) façam a devolução espontânea sem o risco de enquadramento imediato no crime de receptação (artigo 180 do Código Penal).
Após a apresentação do dispositivo e a coleta dos esclarecimentos na delegacia indicada, o aparelho é submetido à conferência do número de IMEI e liberado para ser entregue de volta ao verdadeiro dono.
A orientação é não fornecer dados pessoais, clicar em links ou compartilhar códigos. A pessoa deve procurar a unidade policial indicada na notificação.
A Polícia Civil também informou que a autenticidade da mensagem pode ser confirmada presencialmente em qualquer unidade policial.
O delegado-geral adjunto de operações, Jorge Figueiredo, reforçou que a corporação não vai solicitar informações pessoais por meio das mensagens.
"Nas notificações, em nenhuma hipótese, serão encaminhados links nem solicitadas senhas, cadastros, códigos de verificação, documentos ou qualquer dado pessoal do notificado", afirmou.
A principal recomendação da Polícia Civil é consultar o IMEI do aparelho antes de comprar um celular usado. O número funciona como uma espécie de identificação do telefone e permite verificar se há alguma restrição relacionada ao dispositivo.
Além de evitar prejuízo financeiro, a precaução pode impedir que o comprador seja envolvido em uma investigação por receptação, crime previsto no artigo 180 do Código Penal.
A Polícia Civil afirma que utiliza sistemas de inteligência para cruzar informações e identificar aparelhos com restrições. O trabalho permite relacionar o número de IMEI aos proprietários legítimos e às linhas telefônicas utilizadas nos dispositivos.
Com o cruzamento das bases de dados, a polícia consegue localizar aparelhos que foram furtados ou roubados e direcionar as ações para recuperação dos celulares.
A Operação Mobile 360º é voltada ao combate ao mercado ilegal de celulares e busca também reduzir a circulação de aparelhos de origem criminosa.