Política Eleições 2026
Aliados aconselham Flávio a evitar IA com Bolsonaro até decisão do TSE
A recomendação representa uma mudança em relação ao planejamento discutido antes da convenção
28/07/2026 16h23
Por: Redação Fonte: O Globo

A repercussão jurídica provocada pelo vídeo produzido com inteligência artificial que reproduziu a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a convenção nacional do PL levou aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a defenderem uma mudança de estratégia para a campanha presidencial.

Embora pessoas próximas ao senador continuem convencidas de que a iniciativa não violou as regras eleitorais, a orientação transmitida a Flávio é evitar, por enquanto, novas peças produzidas com a tecnologia até que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dê maior segurança jurídica sobre seu uso nas eleições.

A recomendação representa uma mudança em relação ao planejamento discutido antes da convenção. Segundo aliados, a campanha pretendia recorrer novamente à inteligência artificial para ampliar a presença de Bolsonaro na disputa presidencial, diante da prisão domiciliar que impede sua participação em atos políticos. A repercussão do primeiro vídeo, porém, levou aliados a concluir que o mais prudente é aguardar um posicionamento mais claro da Justiça Eleitoral antes de voltar a utilizar o recurso.

Procurada, a campanha de Flávio não comentou se há planos para recorrer novamente à inteligência artificial ao longo da campanha.

Reservadamente, contudo, interlocutores do presidenciável afirmam que a estratégia não foi abandonada. Ao contrário, a avaliação continua sendo a de que o vídeo exibido na convenção respeitou as normas eleitorais e dificilmente resultará em punições ao senador ou ao ex-presidente.

Essa percepção ganhou força após uma declaração do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, ao  jornal “O Estado de S.Paulo”.

“Usar IA para fazer campanha é lícito. O que não pode é usar para prejudicar alguém”, afirmou Nunes Marques.

Auxiliares de Flávio interpretam a manifestação como um indicativo de que a Corte tende a diferenciar o uso legítimo da tecnologia da produção de conteúdos enganosos ou destinados a atacar adversários. Ainda assim, a avaliação é que não vale a pena abrir uma nova frente de questionamentos jurídicos logo no início da campanha.